Maré Morta mergulha no tempo com "Chronus": o primeiro álbum da banda carioca em três atos
Divulgação / Maré Morta
Lancamentos05 de agosto de 2026

Maré Morta mergulha no tempo com "Chronus": o primeiro álbum da banda carioca em três atos

A carioca Maré Morta lança "Chronus", seu primeiro álbum completo: oito faixas de post-hardcore divididas em três atos sobre o passado que molda, o presente que confunde e o futuro que desafia.

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Depois de um EP que colocou a banda no mapa da cena alternativa, a Maré Morta chega ao seu primeiro álbum completo. "Chronus" tem oito faixas e já está em todas as plataformas digitais — um disco de post-hardcore carioca que fala de tempo, amadurecimento e dor, sem enfeitar nada.

Formado em 2023, o quarteto do Rio de Janeiro nasceu misturando a energia do hardcore com a musicalidade brasileira. Em 2024 veio o EP "Nada Mudou", com três faixas. De lá pra cá a banda subiu em palco atrás de palco no Rio, e em "Chronus" aparece mais densa, com arranjos maiores e uma entrega emocional mais direta. Se a essência da Maré sempre foi, nas palavras da própria banda, "colocar o dedo na ferida", aqui o dedo vai fundo.

A banda Maré Morta em foto de divulgação do álbum Chronus

Um disco em três atos

"Chronus" não é uma sequência solta de músicas. O álbum é estruturado como uma jornada dividida em três atos, cada um representando um tempo da existência: o passado que molda, o presente que confunde e o futuro que desafia.

O material nasceu da junção de fragmentos — riffs, frases soltas, sentimentos dispersos — que foram ganhando forma ao longo do processo. Cada faixa carrega histórias pessoais, principalmente da adolescência e do início da vida adulta, revisitadas agora com mais maturidade. Parte das músicas é inédita; outras são releituras de canções que o público já conhecia, regravadas com arranjos mais ambiciosos.

Na produção, dois nomes de peso: Pedro Garcia, baterista do Planet Hemp, dirigiu a gravação das vozes, e Gabriel Zander (da Zander) assinou a mixagem e a masterização.

Faixa a faixa

Ato I — O Que Antecede

  • Bem Alto, Bem Longe — nasceu de uma composição de Phil Bonano (ex-Kiara Rocks, TROOZ) e ganhou identidade nova com camadas vocais graves de inspiração Depeche Mode e duas guitarras conduzindo o peso. Tem mudança de compasso e interlúdio, numa dinâmica que surpreende.

  • Nada Mudou — revisitada do EP, volta mais pesada e groovada, com guitarras intensas e vocais metalizados. O solo de influência Tool e as novas camadas aproximam a faixa do clima do Royal Blood.

  • Chuva — letra profunda numa estrutura que junta melodia e agressividade. O trecho gritado reforça o peso metalcore, e a música cresce até um breakdown final de impacto.

Ato II — Os Questionamentos do Amadurecimento

  • Dogmas — um dos destaques do disco. Junta hardcore e metal extremo, crítica social e vocais melódicos, com uma quebra inesperada em samba seguida de breakdown. Tem participação de Pedrito, da Austera, no vocal do final.

  • Aonde Você Quer Chegar — ganha força em relação à versão do EP, com gravação vocal superior, linhas de baixo mais detalhadas e um final disruptivo em reggae.

  • 703D — hardcore de espírito livre e letra crítica sobre rotina e trabalho. A regravação elevou a complexidade vocal e trouxe mais viradas de bateria.

Ato III — Distopia

  • Laranja — a "balada" do álbum, com letra curiosamente pesada contrastando com um instrumental mais limpo. Curta, emocional, cresce de forma controlada até explodir. O refrão tem cara de anos 2000.

  • Espelhos — a primeira música trabalhada na produção do disco. A construção segue um conceito espelhado: em vez de voltar aos versos depois do refrão, a música faz o caminho inverso. Fecha o álbum falando justamente sobre o tempo, tema central de "Chronus".

Maré Morta ao vivo

Do Rio pro palco da Boston Manor

A Maré Morta vem construindo presença ao vivo no Rio de Janeiro, tanto abrindo shows de nomes da cena alternativa quanto ajudando a produzir o RENASCENA, evento que reuniu diversas bandas do underground carioca.

Em setembro de 2025, a banda abriu o show da britânica Boston Manor — referência no post-hardcore moderno — no City Lights, em São Paulo, em evento da New Direction Productions. Foi o maior palco da trajetória do grupo até aqui.

"Chronus" também repercutiu na imprensa especializada, com matérias em veículos como Muito Além do Microfone, Vivendo de Shows, Madsoundbr, Rockers From Rio, New Faces Rock, A Setlist e Musicult.


Ficha técnica

  • Trabalho: Álbum — "Chronus"

  • Banda: Maré Morta

  • Origem: Rio de Janeiro (RJ)

  • Estilo: Post-hardcore

  • Faixas: 8, divididas em três atos

  • Lançamento: 19 de dezembro de 2025

  • Gravação de voz: Pedro Garcia (Planet Hemp)

  • Mixagem e masterização: Gabriel Zander (Zander)

  • Participação: Pedrito (Austera) em "Dogmas"

Links

Fotos: @lesticianismo e @isistrindadephoto.

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