
Paracrona: O Metal Que Nasceu no Wacken, Sobreviveu ao Câncer e Agora Desvela o Lado Negro de Hollywood
Banda norueguesa-holandesa lança lyric video de "River of Pain", faixa do álbum Sun God que explora o lado negro de Hollywood. Produção de Fredrik Nordström, do Studio Fredman.
Admin Tribhus
Autor
Algumas histórias no rock são grandes demais para caber num press release. A do Paracrona é uma delas. Dois músicos que nunca tinham se encontrado — um holandês, um norueguês — cruzam o caminho um do outro num dos maiores festivais de metal do mundo, em 2007. Quinze anos depois, depois de uma pandemia, de uma batalha contra o câncer e de incontáveis revisões em estúdio, o álbum Sun God existe. A banda conta com Jens Fredrik Ryland, ex-guitarrista do Borknagar — lenda do black metal progressivo norueguês — e isso já diz muito sobre o nível do que está sendo construído aqui. E agora, com o lançamento do lyric video de "River of Pain", o Paracrona revela uma das faixas mais densas e perturbadoras de toda essa jornada — uma descida ao lado oculto de Hollywood e do preço real da fama.

Wacken 2007: O Encontro que Mudou Tudo
Era 2007 no Wacken Open Air, na Alemanha — o festival de heavy metal mais icônico do planeta, onde dezenas de milhares de fãs se encontram anualmente em torno de um único idioma. Foi ali que Ringo Christiaan Van Droffelaar, vocalista holandês, e Øystein Hansen, guitarrista norueguês com passagem pela banda Fortid, se conheceram e descobriram uma visão musical em comum.
Meses depois, os dois se reuniram em Oslo para dar forma ao que viria a ser o Paracrona. A gravação de Sun God começou no outono de 2016 — uma empreitada ambiciosa que atravessaria anos de turbulências antes de chegar ao mundo.
Uma Jornada de Obstáculos e Resiliência
O caminho do Sun God até as plataformas não foi simples. A pandemia atrasou prazos, planos caíram, o mundo parou. Mas o golpe mais duro veio de dentro: em 2021, Ringo enfrentou um diagnóstico de câncer que colocou tudo em suspenso. A banda continuou. O álbum sobreviveu. Ringo sobreviveu.
Quando Sun God finalmente chegou — produzido pelo renomado Fredrik Nordström no Studio Fredman, responsável por clássicos de In Flames, At the Gates, Arch Enemy e Dimmu Borgir — já carregava o peso de cada um desses capítulos. O som foi moldado com colaborações de peso, incluindo o baterista Baard Kolstad, um dos mais respeitados músicos do metal progressivo europeu.
O álbum foi relançado via Wormholedeath e conta com uma formação de peso: Ringo Christiaan Van Droffelaar (vocal), Øystein Hansen (guitarra solo), Jens Fredrik Ryland (guitarra rítmica), Gregg Roland Schneider (baixo) e Karelius Ihlang — também conhecido como Eldrasil — na bateria. Ryland carrega um currículo impressionante: é ex-membro do Borknagar, lenda norueguesa do black metal progressivo. Já Karelius Ihlang é integrante do projeto atmosférico Eldamar. Não é uma banda de músicos de fim de semana.

"Titanium Metal": Um Gênero Próprio para um Som Sem Caixa
O Paracrona recusa os rótulos convencionais. O que eles fazem tem nome próprio: Titanium Metal — ou "Quantum Realism Metal", como a banda também define. É uma fusão que combina a intensidade do black e do death metal, a complexidade do progressivo e do técnico, riffs de thrash e heavy metal tradicional, camadas orquestrais e melódicas, ganchos pop e influências do classic rock. O resultado é um metal pesado, camadas denso e de acessibilidade incomum para o gênero — algo que agride e seduz ao mesmo tempo.
É exatamente esse contraste que faz de Sun God um álbum difícil de categorizar e impossível de ignorar.
"River of Pain": Quando Hollywood Vira Pesadelo
A sexta faixa de Sun God é também a mais perturbadora. "River of Pain" nasce de uma experiência pessoal de Ringo: os anos em que viveu em Los Angeles, onde testemunhou de perto as estruturas de poder por trás do glamour de Hollywood — a corrupção, os rituais de submissão, o preço psicológico e espiritual de entrar nos círculos do topo.
A música transforma essas vivências em metal visceral: riffs esmagadores, atmosfera sufocante, vocais atormentados. O lyric video aprofunda a narrativa com imagens de cerimônias sombrias, simbolismo ritualístico e estados alterados de consciência — metáforas para a destruição de identidade que pode acompanhar a busca pela fama. Hollywood não como o lugar dos sonhos, mas como símbolo do poder absoluto — onde os indivíduos podem simbolicamente abrir mão da própria humanidade em troca de influência e imortalidade.
O Paracrona não oferece conforto. Oferece confronto. Oferece revelação.
Sun God: Temas que Transcendem o Metal
O álbum como um todo vai além do horror conceitual de "River of Pain". Sun God explora antigas crenças e mitologias com a ideia central de que o "Deus Solar" está dentro de cada pessoa — uma força interior capaz de resistir à ganância, ao ego, à pseudociência e à desinformação. É um álbum sobre libertar-se das forças que nos controlam, sejam elas internas ou externas.
Com uma tracklist que inclui faixas como "New Impurity", "Carry the Cross", "Thriller", "Mendacious" e "Therefore I Move the Time", Sun God constrói um universo conceitual coeso — raro num debut, ainda mais num debut que demorou quase uma década para nascer.
Ouça Paracrona:
Acompanhe:
📸 Instagram 📘 Facebook 🎬 YouTube 🐦 X/Twitter 📧 paracronaofficial@gmail.com
Admin Tribhus
Administrador do Tribhus Blog
